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"Posso resumir em três palavras o que aprendi sobre a vida: a vida continua"Robert Frost



quarta-feira, 7 de outubro de 2015

FLIP 2015 (I - Paraty e seus encantos)


Fotos: Denis Akel

Bom, vamos lá, finalmente às postagens sobre minha ida à FLIP 2015 (ocorrida em julho), que demoraram um pouco devido a alguns problemas pessoais pelos quais venho passando ultimamente, mas é preciso seguir em frente. Para essas postagens, procurei dividir os temas por capítulos, algo que nunca tinha feito, a fim de que as ideias fiquem melhor espaçadas e independentes.

Me é até difícil escolher as palavras para começar este texto, depois de ler o post anterior, no qual falava ainda antes da viagem, e agora, depois, tudo me parece incrível demais para ser transmitido em palavras, mas vou tentar. Da data que sento agora para elaborar este post, já faz alguns meses que cheguei desta incrível viagem. Não pouparei palavras ou esforços para tentar recriar ao menos um pouco do que senti, antes, durante e depois de minhas vivências em terras paratienses, então dividirei este tema em uma série de postagens. Nesta primeira, uma breve introdução e o primeiro dia do evento.

COMO TUDO COMEÇOU

Desde que abracei fortemente o gosto pela escrita e literatura, ouço falar da FLIP, a Festa Literária Internacional de Paraty, um evento que sempre me pareceu grande, gigante, e como tal (erroneamente), inacessível. A primeira edição se deu em 2003. Entre 2007 e 2010, passei a ler sempre notícias da participação de autores que aprecio, como Moacyr Scliar, Millôr Fernandes, e ainda vídeos, trechos das mesas, que só reforçavam a grandiosidade de tudo.

Foi apenas em 2011, contudo, que minha relação com a Flip ficou mais intensa, foi nesse ano que a organização passou a transmitir online as mesas literárias, na íntegra! O homenageado àquele ano foi Oswald de Andrade, com toda a questão da antropofagia. Foi um deleite incondicional, um verdadeiro banquete literário, o qual tentei devorar da melhor maneira possível, gravando os conteúdos com programas que gravam a tela do computador. E passava os dias assim, maravilhado com as mesas, as discussões, os autores que ainda desconhecia. Mesas excelentes com João Ubaldo Ribeiro, Ignácio de Loyola Brandão, e os internacionais Héctor Abad, James Ellroy, e ainda o português valter hugo mae, que emocionou a todos na leitura de um texto, tornando-se quase uma sensação daquela edição. A experiência de viver, mesmo que da tela do computador, esses debates, esse primeiro contato mais de perto com a FLIP, me transformou, e passei a esperar sempre com ansiedade o mês de julho, quando ocorre a festa. Na época, fiz até uma postagem aqui sobre ela: FLIP 2011 - Breves considerações.

Nos anos seguintes, 2012, 2013 e 2014, acompanhei intensamente toda a programação que foi transmitida online, e novamente mesmo que "apenas" através do computador, foi de enorme aproveitamento. O banho de relevâncias a que somos submetidos nas mesas é sempre inspirador, gratificante, verdadeiras aulas. O evento durava sempre cinco dias e, nesse período, eu não saía de casa. O horário das mesas era bastante intenso, chegando a dias nos quais aconteciam até 6 palestras transmitidas! Não havia tempo para fazer nada que não fosse assisti-las, e eu adorava isso, uma imersão quase total. Assistia mesmo a todas, independente dos temas, e continuava gravando tudo, já criando um considerável arquivo. Era, afinal, uma oportunidade única, além de poder sentir com grande intensidade um pouquinho da atmosfera que pairava em Paraty. Inclusive, tinha até iniciado um post sobre a edição de 2012, no qual falaria brevemente sobre as mesas que mais me impressionaram, escrevendo sobre as emoções e sensações que senti, que chegaram até mim através do monitor do computador, de maneira solta, sem grandes compromissos formais. Infelizmente por vários reveses, esse post nunca foi concluído.

Mas claro que minha grande ambição, ou sonho, sempre foi conhecer aquilo tudo de perto, viver aquela realidade. E era mesmo um sonho. Todos os anos, pensava, "dessa vez eu vou", "agora sim vai dar certo" mas os estranhos mecanismos da vida não favoreciam, e logo lá estava eu novamente, debruçado diante do computador, cheio de vídeos gravados, e já a espera do próximo terminar de ser renderizado. Por mais que eu gostasse de escrever, aquele sonho parecia irrealizável. Até que um dia, meio assim sem qualquer planejamento, vi a esperança chegar e sacudir essa aparente certeza.

A DECISÃO DE IR

Até o início do ano, não tinha nada confirmado de que iria a FLIP, de que faria essa viagem, nada mesmo. Mais uma vez, provavelmente, eu esperava pensar "esse ano eu vou", com um ou dois meses para o evento, para novamente não ir e repetir mais uma vez esse ciclo. Um fator crucial para favorecer essa mudança de ventos foi meu querido irmão, Diego Akel, que neste ano, 2015, me incentivou como nunca para finalmente abraçar esse desejo. Diego, que recentemente fez várias viagens, em festivais de cinema de animação, inclusive pela Europa, estava mais empolgado e inspirado do que nunca, com as possibilidades, as portas que viagens assim podem abrir, e tudo isso, de uma maneira ou de outra, passaria para mim. Fizemos uma viagem breve a Limoeiro do Norte, aqui mesmo no interior do Ceará. Foram apenas dois dias, mas considero um primeiro passo, pois mesmo sendo perto, desvelou já inúmeras possibilidades para nós, e me fez considerar a ida a Paraty agora com mais fervor do que nunca.

A FLIP 2015 aconteceria entre os dias 1 e 5 de julho, em Paraty, RJ. Um outro grande fator favorável, que parecia clamar para nossa viagem, veio exatamente nessa questão das datas, pois havia também o Anima Mundi, o tradicional festival de animação, que Diego participa assiduamente desde 2010 (tive também o privilégio de ir com ele algumas vezes). Agora em 2015, ele teria alguns trabalhos em exibição, sua ida já era certa. E o Anima Mundi seria de 10 a 15 de julho. Ou seja, as datas coincidiam perfeitamente para irmos à Paraty e de lá voltarmos pelo Anima Mundi, que esse ano seria na Barra da Tijuca. E assim, ele me acompanharia na FLIP, e eu a ele no Anima Mundi.

Mesmo assim, contudo, a viagem só se confirmaria quase em cima da hora. Várias vezes consideramos ir, outras tantas não. Diego tinha muitos trabalhos pendentes aqui em Fortaleza, mas a oportunidade era boa, talvez única, todos reconhecíamos. Tínhamos acabado de sair de uma pequena maratona, que foi o Cine Ceará e uma viagem seria uma ótima maneira de manter a mente ativa que o festival de cinema proporcionara, ainda mais uma viagem como aquela, que unisse a FLIP, que eu sempre quis ir, e o já tradicional Anima Mundi. Era mesmo o momento perfeito para, finalmente, conhecer Paraty. Diego fez alguns malabarismos para controlar seus trabalhos, contornamos ainda eventuais dificuldades e logo estávamos diante do simpático funcionário da agência de turismo, para comprar a passagem. Os preços não foram muito atraentes, mas percebo agora, mais do que nunca, que foi antes de tudo um investimento, e que valeu cada centavo. Tudo o que vimos, sentimos e vivemos não tem preço. E tão logo me dei conta, estava com a passagem na mão, restando agora cuidar de malas e afazeres de casa, a viagem seria daqui a dois dias, 30 de junho.

A EXPECTATIVA

Não era a primeira vez que viajaria. De certa forma, já estava até bem acostumado à rotina de preparar malas, mas desta vez foi diferente. Um misto de medo e excitação me assolou por alguns instantes. A viagem foi ganhando corpo, mas ao mesmo tempo fiquei meio hesitante, talvez por ser algo novo, nunca experimentado. Já fui ao Rio de Janeiro duas vezes, para o Anima Mundi mesmo, mas à medida que conhecia um pouco a FLIP, ela me era totalmente desconhecida. Sempre tinha acompanhando a Festa Literária na diminuta telinha do computador. Agora, eu estava prestes a finalmente realizar o sonho de estar lá, de literalmente mergulhar nas águas de Paraty. Procurei lidar com essa sensação com tranquilidade, sem pensar muito, seguindo o fluxo que estava diante de mim. Mas não foi fácil, arrumar as malas, pensando que dali a poucas horas estaria vivendo um mundo inteiramente novo, um mundo que parecia inatingível. O que fiz foi justamente me valer dessas sensações, e aqui comecei a escrever um pequeno diário de viagem, no qual as inseri, numa preparação para já escrever as vivências que teria. Escrever relatos de viagem é um hábito que de uma maneira ou de outra sempre tive, mas que esse ano também sofreria algumas alterações bem interessantes, como direi mais a seguir.

E veio então uma pequena novela: conseguir pousada. Não tínhamos referência de nenhuma, e ainda com a proximidade do evento, sabia de antemão que não seria fácil achar vagas; a maioria devia estar lotada. Algo muito bem-vindo foi o site da própria Flip oferecer uma lista com várias pousadas credenciadas, assim tivemos uma base, e já começamos a ligar para quase todas. E lá se vão créditos e mais créditos de ligações interurbanas. E como pensei, a maioria estava mesmo sem vagas, ou havia a preços absurdos. Pousadas que só pelo nome, como a Pousada do Ouro, já intimidavam nesse aspecto. E também ao contrário, vi uma certa Pousada Pardieiro, mas que só tinha o pardieiro no nome, pois o local era belíssimo. Após várias ligações, finalmente encontramos uma acessível, a reserva foi feita. Pronto, um problema crucial resolvido. Corri a escrever isto em meu diário, enquanto preparava tudo o que levaria.

Malas prontas. Saímos na madrugada do dia 30. Um voo intranquilo, nunca consegui dormir em aviões, mas ao mesmo tempo único, a expectativa aumentava gradativamente, a cada etapa avançada.

RUMO A PARATY

Do aeroporto Galeão, no Rio, tomamos um ônibus direto para a rodoviária. Eram por volta de 9 da manhã, estávamos cansados, viajar de madrugada é sempre exaustivo, mas a ideia era, uma vez lá, pegarmos o próximo ônibus para Paraty. Já sabíamos de antemão a companhia responsável pelo trajeto, a Costa Verde.

Mesmo já conhecendo o Rio, não canso de me assustar com a grandiosidade da cidade, esse ar de megalópole, intenso, frenético. Olhava pela janelinha do ônibus e via todo aquele caos urbano, viadutos, pontes, elevações, guindastes, tratores, aquele monte de máquinas, tudo contrastando com um céu límpido e pacífico. Saindo de Fortaleza, era sempre um choque.







E finalmente a bordo do ônibus para Paraty, essa paisagem mudou radicalmente. Foi sem dúvida uma das melhores viagens que já fiz até hoje. O ônibus era bem confortável, convidativo a um cochilo, mas não pude deixar de acompanhar boa parte do trajeto pela janela. A rota era praticamente toda pela encosta, pertinho do mar, com incontáveis montanhas, ilhas, árvores, verde. Visões que me faziam sorrir abobalhadamente, uma felicidade espontânea, e procurei escrever essas sensações em meus registros. Passamos por inúmeras cidades, dentre as quais Angra dos Reis, que era a última antes de Paraty. Angra me pareceu incrível, mesmo que vista apenas da janelinha. Rodeada de várias ilhotas, com toda aquela vegetação integrada, aquele clima, a cidade me pareceu bem acolhedora, e até meio perigosa (havia uma usina nuclear!). Como foi uma viagem meio longa, 4 horas e meia, vindo de uma noite intranquila, me entreguei a uma ótima soneca na poltrona, imaginando que daqui a pouco tempo finalmente estaria onde sempre quis ter estado, desde que descobri esse evento espetacular.







O ônibus veio até bastante cheio, imaginei que a maioria ali iria para a Paraty, para a FLIP, o que não seria de se estranhar, pois o público do evento é sempre muito grande, mas não foi bem assim. Grande parte desceu mesmo em Angra, e um diminuto grupo seguiu. Pelo menos agora sim, aquelas que restaram provavelmente iriam ao evento literário.

PARATY, PARA NÓS

Como foi boa aquela sensação, de descer ali, naquela rodoviária típica de cidade do interior. Tudo a minha volta era novidade. E melhor ainda saber que nossa pousada ficava tão perto que poderíamos ir andando! A melhor forma de se descobrir, explorar cidades, é andar, sentindo a cidade pulsar. Percebi também que havia ônibus e táxis à vontade, mas durante toda nossa estadia ali, não precisamos recorrer a nenhum.

Escolhemos chegar exatamente um dia antes da abertura da FLIP, justamente para termos algum tempo para conhecer um pouco da cidade, da movimentação, e já ganhar familiaridade. Após nos instalarmos na pousada e almoçarmos, pensamos em dormir, vindos ainda dessa noite de sonhos intranquilos, era algo tentador a se fazer. Mas quem conseguiria dormir tendo a cidade inteira à disposição? O sono poderia esperar mais um pouco, principalmente graças aos cochilos que demos ainda no ônibus.

Devia ser já final de tarde quando iniciamos esta primeira andança. Além de tudo, eu ansiava para ver logo de perto os locais das tendas, toda a estrutura, sentir que de fato estava ali, que de fato iria acompanhar tudo. As tendas do evento ficavam no coração do centro histórico de Paraty, e o acesso até ele se dava pela Avenida Roberto Silveira. Esta rua, inclusive, também era um destaque à parte, repleta de restaurantes, lojas, luzes, pousadas, além do fluxo sempre constante de pessoas. Achei incrível vários destes lugares terem cartazes da FLIP em suas fachadas, demonstrando a força que o evento tinha. Até farmácias estampavam o banner. Foi uma experiência muito intensa, estar ali, de repente, respirando tudo aquilo. Podia-se dizer que ali era o centro da cidade, e como era passagem obrigatória, de ida e volta, tornou-se, com os dias, uma travessia cada vez mais agradável.

Avenida Roberto Silveira, principal acesso ao centro histórico


Ficou bem evidente que Paraty era uma cidade muito turística, e estávamos justo em seu período de maior movimento, o mês de julho. Comecei a ver as pousadas que tanto vimos quando buscávamos uma, e vi muitas outras, muitas mesmo. E quando atravessamos a avenida, nos deparamos com uma pracinha, e depois dela a arquitetura mudou radicalmente. Surgiam os vistosos casarões, o chão pedregoso, aquele ar colonial, banhado pelo belo sol que naquela hora preparava para se por. Estávamos diante do centro histórico.




Andamos atônitos por aquelas ruelas, atentos a todos os detalhes, e o primeiro deles bastante necessário: as pedras. O chão era todo salpicado de pedras, sendo a disposição destas meio irregular, com os mais variados tamanhos e formas, espaçadas meio aleatoriamente. Passamos muitos dias para nos acostumarmos a isso, e por mais que quiséssemos olhar tudo em volta, tínhamos sempre que baixar a cabeça para ver onde iria nosso próximo passo, sob o risco de um escorregão ou mesmo uma queda, que felizmente não aconteceu.

Neste primeiro passeio, andamos ainda sem qualquer orientação clara, apenas conhecendo os arredores. E rodamos muito, encontrando já vários locais do evento, que me lembrava de ter ouvido falar de anos anteriores, como a tenda da Flipinha, a Casa Folha, a praça da Matriz (que conhecia por ter sempre suas árvores adornadas por livros no período da FLIP), o SESC, o Instituto Moreira Sales. Tudo estava mesmo ali, pertinho, a nosso alcance, eu não cansava de pensar isso, era uma sensação fascinante. Além disso, vimos também a igreja da Matriz, bem como infindáveis escunas, muito comuns por ali, e toda a vastidão do mar e das ilhas no horizonte. Era uma visão tão pacífica, tão gloriosa, que mesmo que só pudesse ver aquilo, a viagem já teria valido a pena.





Havia incontáveis restaurantes no centro histórico, todos muito distintos e chamativos, com cardápios que iam de pizzas a lagostas, e cujos preços intimidavam. Ainda, sorveterias, padarias, lojas de artesanato, galerias de arte, ateliês, museus, igrejas e claro, mais pousadas. Em um dos momentos dessas andanças, vimos uma reportagem do canal Arte 1 sendo gravada, bem ali, próxima à igreja da matriz, aproveitando-se provavelmente deste belo plano de fundo. Com tantas coisas a observar, sentia-me em movimento, feliz, completo, por estar ali. E o evento ainda sequer começara.

E aliás, ainda nem sinal das tendas principais, a tenda dos autores, a livraria da Travessa, o café... e tornamos a andar, nesta busca. E após mais algumas passadas, encontramos uma ponte, e de longe vimos já várias bandeiras da FLIP a adorná-la. Era um bom sinal, devia ser naquela direção. Na ponte, tive outra bela visão, a imensidão do rio Perequê-Açu, que passava ali por baixo, cheio de brilhos e reflexos já da noite que agora chegava. Além da ponte, finalmente vi a imponência das estruturas, do que sabia ser a tenda dos autores e demais espaços. E fomos até lá, em passos lentos e desbravadores. Estávamos agora em frente ao que seria o coração da FLIP. A tenda principal tinha uma estrutura monumental: teto em abobada, ambiente todo climatizado, com acesso através de portas laterais. Caminhamos em volta, assimilado tudo aquilo, havia já placas e identidades visuais da festa, espalhados pela área. Seguimos pela passarela, à borda do rio, apreciando além da estrutura, o ótimo friozinho que fazia àquela hora. Lá no fim, a livraria da Travessa, na figura de outra tenda, esta meio ao ar livre. O espaço era a livraria oficial da FLIP, que venderia também os livros dos autores convidados. Além de nós, havia outras pessoas curiosas, também andando por ali. Todos os segmentos, desde a tenda dos autores, estavam interditados com faixas amarelas, de modo que nos limitamos apenas mesmo a olhar e nos aproximar até onde estas faixas permitiam. Foi ótimo estar ali, naquele primeiro momento, ainda no dia de nossa chegada. As tendas ainda dormiam, aguardando o momento de serem abertas, e fiquei pensando como estaria todo aquele cenário àquela hora, no dia seguinte, quando afinal a FLIP teria início.









A PROGRAMAÇÃO

A FLIP costuma sempre fazer uma homenagem a um escritor brasileiro. Este ano, a honraria ficaria com Mário de Andrade, que seria tema de boa parte das discussões e mesas da tenda dos autores, o palco principal da festa. Esta programação central é composta por cerca de 20 mesas, que é justamente o material que é exibido online, e que até ano passado eu tanto me empenhei em assistir e gravar.

Era comum também que, uma vez divulgada a lista de convidados, eu a esmiuçasse completamente, lendo algo sobre cada um deles, para conhecer um pouco antes dos debates, e assim usufruir melhor daquela experiência. Agora, contudo, não disporia de todo esse tempo. Inclusive, uma das primeiras questões que me colocou em xeque quando considerei afinal ir à Paraty foi bem isso: como fazer para gravar a transmissão das mesas? Uma vez lá, não teria como. Mas não me incomodei muito com isso, procurei pensar que o simples fato de estar lá, de viver aquela atmosfera, já superaria qualquer registro feito de casa, e ficaria muito mais em mim do que qualquer vídeo. E ainda, há pouco tempo a FLIP passou a também disponibilizar o áudio na íntegra de todas as mesas no YouTube, então eu ainda teria como ter acesso a esse material.

Quanto à programação de 2015, com a certeza da viagem em mãos, e pendências de última hora a resolver, não pude olhar com muita atenção quem seriam os autores deste ano, de modo que a única coisa que sabia era que o homenageado seria Mário de Andrade, e que uma das mesas teria o escritor Marcelino Freire, do qual conheço um pouco da obra. Ir assim, meio no escuro, me pareceu estranho a princípio, mas logo se revelaria uma experiência bem construtiva, pois não ficaria muito preso, por não estar direcionado a nada, a princípio. Além dessa programação principal, dessas 20 mesas, havia outras programações, paralelas, que não eram transmitidas, e elas muito me interessavam, mas de uma maneira ou de outra eu acabaria por me focar mais nos bastidores, no que acontecia por trás do evento, ao invés das mesas em si, como direi mais a seguir.

O DIA DA ABERTURA 

A abertura da FLIP seria só às 19:00, mas o dia 1º de julho começou cedo para nós. Todos os momentos eram preciosos, desde o café da manhã da pousada, que deveria ser apreciado não só nas iguarias como na percepção dos demais hóspedes, e lá escutamos as mais variadas conversas, sobre a FLIP mesmo inclusive, e vi já uma empolgação acentuada nos rostos de todos. Os proprietários do lugar falavam com muita satisfação do evento, que enchia a cidade, e orgulhavam-se de que naquele período já estavam negociando a parceria para Flip do ano que vem. Nós ouvíamos maravilhados, mais curiosos do que nunca para a noite deste dia, para a abertura.

Como agora sabíamos nos localizar melhor, rumamos direto para o centro histórico, encontrando já um aumento significativo no número de passantes, também pela Praça da Matriz, enquanto agora íamos a caminho das tendas, para pegar logo um folheto com a programação, que sempre quis ter o prazer de ter nas mãos. A ponte que dava acesso a essa área, pela qual até o dia anterior ainda havia trafego de carros, agora estava restrita apenas a pedestres. Aos poucos, tudo se preparava para o início do evento.



Na tenda dos autores, as barreiras e faixas de interdição haviam sido removidas, e já iniciava-se um fluxo moderado por ali. Vi o balcão da bilheteria, ainda em preparação, seguranças já em volta, e não conseguia parar de olhar para todos os lados, observando cada detalhe, cada cor, cada vibração da sensação que era estar ali. E foi num balcão ao lado da bilheteria que pegamos a programação, que me surpreendeu antes de tudo pelo capricho: um pequeno kit embrulhado num envelopinho, que apesar da vastidão de informação que reunia, cabia num bolso. Em cada um dos livretos, programações distintas, e ainda um mapa detalhado das mesas, bem como da localização na cidade dos locais que teriam atividades. Simplesmente incrível o acabamento daquele material, e tentei dar logo uma pequena olhada, agora pela primeira vez tomando melhor conhecimento a respeito das mesas, dos autores convidados etc.




Mapa de orientação no centro histórico, que mantivemos à mão quase o tempo inteiro


A ideia era ainda tentar conseguir ingressos para a abertura, e nos aproximamos da bilheteria. Para a abertura já estavam esgotados, e não apenas ela. Uma das moças pegou o nosso mapa das mesas e começou a marcar com uma caneta as que ainda tinham ingressos disponíveis. Eram bem poucas. Fiquei assustado, na hora, com já tanta procura, mas depois percebi que os ingressos estavam à venda já há alguns dias, pela internet, e que com o público massivo do evento, era de se esperar que acabassem rápido. Mais tarde eu viria ainda a saber que esse ano inclusive foi a primeira vez que os ingressos todos não esgotaram antes da abertura, ao que foi atribuído à crise que assola o país. E ficamos lá, diante da moça, que esperava, sorridente. Mas como resolver assim em cima da hora para qual mesa comprar? Mal sabia ao certo quem era quem, os temas discutidos, não... não poderia decidir assim, ainda mais que o valor do ingresso era 50,00 reais a inteira. Precisávamos considerar bem para qual iríamos. Sabíamos que os poucos restantes poderiam acabar, mas correríamos o risco de nos precipitar. Claro que também havia a possibilidade de comprar mesmo no escuro, e ter uma ótima surpresa. De um jeito ou de outro, tudo seria lucro, era verdade, mas nesse primeiro momento, preferi manter os pés no chão e pensar um pouco mais antes de resolver.

Parte das programações. Com as marcações de caneta ainda presentes, esse folheto traz boas memórias. 

E continuamos a andar, com os livretos da programação nas mãos, explorando os outros espaços. A tenda dos autores tinha ainda um anexo à direita, próxima a área das portas de saída, no qual foi montado um telão, de onde seriam exibidas todas as mesas, gratuitamente, tudo o que ocorresse dentro da tenda. Logo à frente dele, dezenas de cadeiras compunham aquele belo auditório ao ar livre, sobre milhares de minúsculas pedrinhas espalhadas por todo aquele terreno. Seria um espaço onde passaríamos bastante tempo.




E com a luz do dia, tudo ficou mais claro, mais amplo, com outro sabor, com aquele movimento de pessoas, aquele fluxo, aquela preparação para logo mais. Andamos novamente pelos mesmos trechos da noite anterior, quase redescobrindo, ou descobrindo mesmo. O café já estava aberto, bem como a livraria, e aproveitamos para conhecê-la logo, aproveitando o ainda pouco movimento. Pelas imediações também vimos já o escritor Marcelino Freire, andando por lá com a desenvoltura própria de conhecer tudo aquilo. Na livraria, chamava a atenção de cara uma pilha de livros, dos autores daquela edição, e me demorei um pouco ali, buscando um breve panorama. Autores franceses, irlandeses e até queniano, bem como vários brasileiros. Dei uma breve olhada nos preços, mas não pensava em comprar nada agora. Passeamos um pouco pela livraria, que de resto era meio que uma livraria comum, exceto pela atmosfera do evento que já reinava absoluta. Tivemos ainda o prazer de ver a ilustre Liz Calder, a inglesa que idealizou a Flip, andando por ali, provavelmente checando se tudo estava como deveria.














Retornamos então, e apesar do sol, fazia uma temperatura agradável, uma brisa friazinha, que foi um grande aconchego. Como era mágico andar por aquelas dependências, ver aquele panorama, eu não cansava de pensar, de me encantar. Havia várias placas de madeira no decorrer do trajeto, com detalhes das mesas e informações adicionais. Em uma delas, uma nota avisava que o escritor Roberto Saviano não viria à FLIP. Não me detive muito, a essa altura, como disse, ainda não sabia direito quem era quem, mas nos dias seguintes isso chegaria mais bem explicado, inclusive como chave de ouro na última mesa do evento.

Voltamos para almoçar no centro histórico, desfrutando daquele belo cenário paradisíaco, que parecia a cada minuto se tornar mais belo. Avistamos o livreiro Pedro Herz, apresentador do programa Arte 1 Com Texto, e sempre me enchia de satisfação só em perceber essas pessoas do meio, essa pulsação, esse vigor que parecia atingir Paraty como nunca durante aquele período. Passamos a tarde conhecendo todos os espaços da FLIP, a Casa Folha, o IMS, a FlipMais, a Flipinha, Praça da Matriz, todos incríveis, e neles fomos fustigados por toneladas de informações, que vinham na forma de panfletos, revistas, jornais, tudo distribuído gratuitamente. Vimos ainda uma ótima exposição dedicada ao artista paratiense Zé Kléber, na Casa da Cultura de Paraty. Há uma mesa tradicional da Flip que leva seu nome, e eu sempre ficava me perguntando quem era Zé Kléber. Essa exposição veio como uma ótima supresa, para mergulhar de vez no clima do festival, e vimos inúmeros registros de sua vida e obra: filmes, poemas, livros e músicas. Grande oportunidade de conhecê-lo melhor.

Ainda, a movimentação de pessoas pelo centro histórico intensificava-se, e já podia imaginar como seria na hora da abertura. Fiz fotos de tudo o que consegui, enquanto paralelamente seguia escrevendo minhas impressões.

Casa Folha, espaço que além de livraria, recebia também conversas com autores



Tenda da Flipinha, onde além de programações, aconteceu também o show de abertura

Mural pertencente à exposição dedicada ao artista paratiense Zé Kléber





E COMEÇA A FLIP

Após uma breve pausa na pousada, para deixar parte do material que nos pesava as mãos, bem como fazer algum lanche, tornamos a sair. A abertura seria às 19h. E como fazia frio à noite! Havia até uma nevoazinha, que foi um bálsamo para nós, saídos do sempre constante calor de Fortaleza. Eu me sentia muito bem, realizado, prestes a testemunhar aquele momento que me era tão aguardo, a desmistificar a impossibilidade daquele sonho. Mesmo que ainda não de dentro da tenda principal, iria acompanhar de perto a abertura do evento.

No centro histórico, o fluxo já era respeitável, com todos convergindo para a tenda. Como estávamos meio atrasados, apertamos o passo, à medida que as traiçoeiras pedras do chão permitiam, e logo cruzávamos a ponte sobre o rio, encontrando um grande contingente nas imediações das tendas, da bilheteria, daquele trecho que era o coração do evento. Consideramos tentar comprar um ingresso, de repente de alguma desistência, mas mesmo de última hora, ainda teríamos de gastar 50 reais... e preferi guardar para analisar melhor as mesas vindouras. Em pouco tempo, vi que o acesso à tenda tinha sido liberado, as pessoas passavam a portinha e subiam os degraus, para uma realidade que eu ainda desconhecia, a parte interna da tenda, mas ainda teria tempo para isso. E seguimos, direto para a área do telão.






Não sei se havia ainda lugares livres na tenda, mas ali fora me espantou ver praticamente todas as cadeiras ocupadas, sem qualquer lugar sobrando. E agora? O telão exibia já propagandas de patrocinadores, ficaríamos em pé? A primeira vez na FLIP para assistir à abertura em pé? Por sorte havia o espaço do café, mais ao lado, onde havia também toda uma aparelhagem acústica, de modo a ser possível sentar-se a uma das mesas, tomar um café, sem deixar de acompanhar nada. Parecia perfeito para o momento, principalmente porque apesar do movimento, havia ainda várias mesas vazias. Corremos a elas, passando pelo mar de pedrinhas.




SESSÃO DE ABERTURA, AS MARGENS DE MÁRIO

Ah, a abertura da Flip! Quando sentei à mesa, me lembrei de imediato dos anos anteriores, em 2014, quando Millôr Fernandes foi homenageado, nas palavras do crítico Agnaldo Farias, ou 2013, quando o escritor Milton Hatoum abriu a FLIP dedicada a Graciliano Ramos. Naqueles anos, eu estava a quilômetros de distância, atrás de um computador. Agora eu estava ali, a poucos metros da ação. Uma sensação de plenitude me tomava, no momento em que o telão exibiu um breve vídeo de homenagem a Mário de Andrade (assim seria em todas as mesas) e logo depois o interior da tenda, toda aquela vastidão, e subiu ao palco Paulo Werneck, curador de mais esta edição. Ele fez os tradicionais agradecimentos, deu boas-vindas a todos, mencionou ainda que esse ano três livros da Flip têm a palavra amor no título e apresentou os palestrantes daquela primeira mesa: Beatriz Sarlo, Eliane Robert Moraes e Eduardo jardim. O trio era especialista na obra do escritor modernista, e logo iniciou-se um profundo debate sobre sua vida e obra.

Era uma sensação muito boa estar ali, respirando aquele ar. Podia quase me ver em casa, como fizera nos anos anteriores, diante da tela do computador, gravando, assistindo, acompanhando. Dessa vez, estava ali, se não dentro da tenda, de outro ponto de vista, vendo a festa talvez até com mais informalidade, de onde podia tomar um café, observar as pessoas, a noite, e ali percebi que acontecia uma outra Flip, uma Flip que eu jamais veria das paredes de meu escritório, lá em casa, e talvez sequer de dentro da tenda.



Não conhecia nenhum daqueles que agora falavam, com toda aquela propriedade, sobre a obra de Mário de Andrade, uma variedade de temas, de sua vida pessoal ao ritmo de trabalho, e tudo parecia sim muito interessante, mas minha atenção não estava exatamente no telão, na mesa em si, mas em volta, no que acontecia à minha volta. Acabou sendo uma constante para mim, durante quase todo o evento, ficar mais impressionado com o ambiente do que o teor dos debates em si. Sempre me interessaram detalhes e nuances. Como tudo era novidade, e na ânsia de filtrar antes de tudo a vida que havia ali, perdia tranquilamente o olhar nas pequenas coisas que aconteciam, tentando observar um pouco daquelas pessoas, seus hábitos, expressões, gestos, tudo me era fascinante de perceber, e ia registrando estas observações em anotações ali mesmo, um ambiente que favorecia completamente este exercício.



Para algumas crianças que estavam por ali, o destaque também estava longe de ser o telão. Elas brincavam com as pedrinhas do chão, correndo alegremente, sentando, pegando e jogando-as ao ar, vivendo o seu próprio mundo, com toda a inocência a que tinham direito, nem um pouco interessadas em Mário de Andrade ou sua obra. Foi uma interessante divergência: enquanto todos ouviam, em silêncio, as crianças corriam, gritavam sem qualquer pudor. Olhei aquela cena, tão simples, tão pura, uma felicidade breve, uma celebração da infância, sucumbida em meio à abertura do mega evento literário.



Nas mesas em volta da nossa, agora já lotadas, todos acompanhavam o telão. Observei que pareciam muito atentos, muito focados, como que absorvendo cada palavra, e até mal se moviam. Comentei algo com Diego, a meia voz, mas já suficiente para fazer uma senhora numa mesa ao lado virar para mim e pedir silêncio, educadamente, com o indicador junto à boca. Aquelas pessoas realmente abraçavam a Flip. Ver aquelas pessoas ali fora me fez perceber ainda um curioso entrechoque cultural. Uma verdadeira passarela de tipos únicos, notáveis, um público diferente, o mesmo que lembrava ver nos anos anteriores, na tenda dos autores, quando a transmissão online revelava, a seu bel-prazer, o público que lá estava.






Ver a abertura, daquela perspectiva, me fez refletir muita coisa. Tantas pessoas ali, interessadas, concentradas, vivendo e celebrando a literatura, sem brigas, sem confusão, faz perceber a força que tem essa festa. E tornei o olhar ao telão. Enquanto os palestrantes falavam, por tantos minutos a fio, pensei como seria difícil manter uma oratória por tanto tempo, uma pequena aula, na qual não havia pausas ou tropeços. Claro que era algo comum, num ambiente como aquele, e não se esperaria menos do que isso, mas eu gostava de ficar pensando nesses aspecto, do quanto eles se prepararam para aquele momento. Não se confundiam, as palavras fluíam e se completavam, com profunda noção de conteúdo, como se tivessem conhecido Mário de Andrade, e contagiando a todos com essas sensações.

Ademais, fazia um friozinho muito agradável, roupas de frio e agasalhos eram uma constante. Eu que escrevia em meu caderno nesse momento, sentia quase uma carícia ao tocar a mão no papel frio e acalentá-lo com os dedos, num afago realizado. Com mais de uma hora passada, o fluxo de pessoas permanecia praticamente o mesmo. Na área do telão, bem como na do café, onde estávamos, ninguém se levantou, os olhares vidrados, alimentados pela trajetória e relevância do escritor modernista.

Um momento muito peculiar surgiu já perto do final da mesa, quando houve uma inesperada invasão no palco. Nada que prejudicasse a fala, muito pelo contrário: era o ator Pascoal da Conceição que, caracterizado de Mário de Andrade, resolveu fazer uma intervenção surpresa na abertura da Flip, e entrou declamando um poema, com um buquê de flores na mão e largo sorriso no rosto. O ator, que interpretou Mário numa minissérie da Globo, disse não poder ficar de fora daquela festa, e que não tendo retorno da produção, resolveu agir por conta própria, inclusive bancando todo o figurino. Eduardo Jardim, o biógrafo de Mário que falava na hora da invasão de Pascoal, disse depois: "Adorei, levei o maior susto! Eu já conhecia o ator, por vídeo. Ele é mais baixo que o Mário, que era um cara muito alto, mas tem uma energia!".
Foi um dos momentos mais divertidos e talvez o mais inusitado que eu já tenha visto na Flip. Apesar de ser visível o quão o curador Paulo Werneck ficou desconcertado, a cena foi de uma beleza extraordinária e se não foi mesmo planejada, serviu como um excelente desfecho à ótima mesa de abertura, quase como se o próprio Mário de Andrade surgisse para receber aquele prestígio.

E seguiu-se afinal o término da mesa, sob largos aplausos, de ambos os públicos, da parte interna e externa. Era quase possível sentir o calor que cada palma emanava, um agradecimento, uma satisfação. Então, as portas da tenda se abriram e começou a dispersão, dezenas e dezenas de pessoas foram saindo, como formigas de um formigueiro, juntando-se ao outro público, que também deixava o local. Nos aproximamos, apenas para ver um pouco da parte interior da tenda, ter ao menos um pouco desse gostinho, ali na noite da abetura. Vi a disposição das cadeiras, as extensas e reluzentes arquibancadas, e vi também que todos que saiam recebiam um curioso pacote, que logo percebi ser algum presente em ocasião da abertura. Ficamos por perto, até que Diego se adiantou, perguntando se poderíamos ter um daquele. O homem que distribuia os embrulhos não questionou, e nos entregou logo um pacote, que recebemos com um grande sorriso e fartos agradecimentos. O pacote trazia o livro "Eu sou trezentos, eu sou trezentos e cincoenta", um marca página e um breve catálogo de obras do escritor, tudo embalado de maneira bem rústica, que deu um charme bem especial ao presente:



E assim deixamos as imediações da tenda, junto com um mar de pessoas, um fluxo de vozes, de impressões, de sensações. Ouvia comentários sobre a palestra o tempo todo, uns entrecortando outros,  enquanto cruzávamos a ponte de volta ao centro histórico. Nesta noite aconteceria ainda um show para marcar a abertura do evento. No centro do palco da Flipinha, o músico paratiense Luís Perequê agitou a noite. Aliás, esse show, como eu viria a descobrir depois, gerou um pequeno falatório na mídia, por dizerem não ser um show "grande", como foi o de Gal Costa no ano passado. Luís Perequê, segundo as manchetes, tinha sido chamado por conta do baixo orçamento que a organização dispunha esse ano, quase como um "quebra galho". Achei esses comentários desnecessários e inconvenientes. Qual o problema de se dar a oportunidade a um artista local, conhecedor verdadeiro da cultura paratiense? Os jornais não perdem mesmo uma boa chance de levantar polêmicas. Luís Perequê cantou e iluminou a noite desse primeiro dia, na companhia de várias crianças que também se sentiam muito à vontade naquele palco tão colorido.



Regressamos à pousada, exaustos. Não compramos nada nesse primeiro dia, mas recebemos muita coisa, além de toda a carga de emoções e sensações: os folhetos, impressos, jornais e brindes distribuídos em praticamente todas as áreas da Flip, que já foi suficiente para encher a imagem abaixo. E muito mais ainda estaria por vir:



A partir da próxima postagem, algumas das mesas que conseguimos assistir. Ainda tenho muita coisa da Flip para mostrar!

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